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A Galeria TRICANA, localizada na Rua de São Bento em Lisboa, resulta do sonho de criar um espaço de valor arquitetónico acrescido, para a exposição de peças de valor ímpar, colecionadas ao longo dos anos. Colecionar, Expor e Manter as nossas peças, bem como servir os nossos Clientes, são as principais fontes da nossa realização enquanto profissionais, e a Galeria TRICANA reúne peças de excelência, proporcionando as condições desejáveis para a sua correta apreciação. Este espaço conta ainda com um sector de manutenção especializado em garantir qualquer tipo de intervenção, concretamente, restauro, limpeza e impermeabilização.
Viemos assim colmatar a inexistência de uma feira de referência no centro da capital, com a garantia de qualidade que APA nos tem vindo a habituar ao longo de 30 anos.
Também, como a feira da Cordoaria, a nova edição da feira da APA contará com uma equipa de peritagem que analisará as peças antes da abertura ao público, garantindo assim a sua autenticidade e qualidade.
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Cocktail, terça-feira, 12 de Novembro às 18h00
13-16 de Novembro, quarta-feira a sábado, das 15h00 às 22h00
17 de Novembro, Domingo, das 12h00 às 19h00
Não há informação fundamentada sobre a origem desta indústria de embutidos em madrepérola na Índia. Há notícia de obras de embutidos de madrepérola a partir do séc XV. Babur o primeiro Imperador Mogol (avô de Akbar) conta nas suas memórias, o Babur–nama, em passagem referente a Setembro de 1529, quando em campanha no Norte da Índia, ter enviado vários presentes para o seu filho Hindal em Kabul, nomeadamente um tinteiro embutido e um banco trabalhado em madrepérola.
Parece podermos considerar três tipos de peças de laca do Guzarate. As produzidas para o mercado local, as destinadas ao mercado de exportação islâmico, e as de encomenda europeia.
Pelo contexto histórico é de supor que as exportações para o mundo islâmico, sejam anteriores ao comércio orientado para os países europeus. É uma realidade, no entanto, que alguns objectos sobretudo cofres com óbvia tipologia e desenho islâmicos ingressaram em colecções reais europeias no sec, XVI e seguinte, exactamente pelo seu valor exótico e beleza e num espírito de inventariação promovido pelo fascínio pelas novidades de um mundo que estava então a ser “descoberto”.
O escritório da Jorge Welsh revela um desenho geométrico e vegetalista estilizado que embora de feição islâmica é típico das artes decorativas do Guzarate, um vocabulário decorativo que incorpora árvores estilizadas com copa em forma de coração invertido, palmeiras com rosáceas, etc, característico dos Sultanatos do Norte da Índia do período pré-Mogol.
Quando os Portugueses dominaram o comércio do Índico e se apoderaram das rotas comerciais árabes e Otomanas e que os interesses comerciais europeus foram ganhando força, sobretudo a partir de 1601 (com a abertura das feitorias inglesa e holandesa em Surat) a produção de mobiliário de exportação adquiriu contornos mais adequados ao gosto europeu de então.
No seu Itinerário, publicado em 1596, o holandês Linschoten menciona que em Sind, junto da embocadura do rio Indo “ fazem todo o género de escrivaninhas, armários, malinhas, caixinhas, bastões e mil outras bugigangas e curiosidades semelhantes, todas embutidas e lavradas com madrepérola, sendo tudo levado para Goa e para Cochim, na altura em que os navios portugueses ali estão para carregar. O francês François Pyrard de Laval observador atento do que viu na Índia entre 1601 e 1611, descrevendo o reino de Cambaia (Guzarate) conta: “Ils ont encore des cabinets à la façon d’Allemagne, à pièces raportées de nacre de perle, ivoire, or, argent, pierreries, le tout fait proprement.” Referia-se aos pequenos escritórios de tampo de abater com uma gaveta central maior rodeada de pequenas gavetas decorados com embutidos de madeiras diversas produzidos pelas oficinas de Ausburgo e Nuremberga desde o sec. XVI, muito populares em toda a Europa.
O Escritório de embutidos de madrepérola em laca da Jorge Welsh é possivelmente único e de grande relevância, ilustrando a transição de modelos islâmicos para europeus na aurora formativa de um mercado de exportação de mobiliário exótico da Índia para a Europa que iria manter o seu fulgor até pelo, menos ao século XVIII. A tipologia deste móvel corresponde plenamente aos modelos em voga na Europa de então. Que tenhamos notícia e apesar das diversas menções contemporâneas a escritórios de madrepérola apenas encontramos publicado um outro escritório de embutidos de madrepérola em laca do Guzarate (1), este com uma decoração já muito mais próxima dos numerosos escritórios afins em que o marfim substitui a madrepérola, mais um passo na aproximação ao gosto e técnica europeus.
O escritório da Jorge Welsh embora já não cultive a sinuosidade de formas quase caligráficas de embutidos de alguns dos exemplares destinados ao mundo islâmico conserva ainda os padrões decorativos dessa era com elementos tais como a árvore com copa em forma de coração invertido e a palmeira estilizada com rosáceas.Todo o interior do móvel está decorado com um trabalho lacado a vermelho de tipo vegetalista, Fig 2, típico das oficinas do Guzarate dessa época.
A tipologia deste móvel corresponde à dos “à moda dos da Alemanha”que se tornará modelo corrente tanto na produção indo-portuguesa como na namban, mas que à época da sua feitura no Guzarate seria uma “novidade”.As pegas laterais de ferro são elementares e de um estilo ainda por definir, reforçando o carácter pioneiro deste móvel.
(1) Digby - The Mother of Pearl Overlaid Furniture of Gujarat, the holdings of the Victoria and Albert Museum.em: Facets of Indian Art , Victoria and Albert Museum London, 1986, fig. 9 e 10.
A dinastia mogol foi iniciada por Babur (r.1526-153) que partindo da sua base de Kabul derrotou Ibrahim Lodi,o Sultão de Delhi. Os primórdios do império foram precários,o seu filho Humayun (r.1530-1556)teve grande dificuldade em reter as conquistas do seu pai.
O poderio e esplendor mogois no entanto devem-se a Akbar (r 1556-1605). Herdou o trono imperial aos treze anos. Revelou-se um político e administrador de grande visão e lançou as bases sólidas de um império que duraria quase intacto até ao sec. XVIII.
Akbar herdou o amor pelas artes dos seus antepassados. Seu pai Humayun havia trazido para a Índia,de Tabriz na Persia, dois importantes pintores : Mir Sayyid Ali e Abd al-Samad. Estes dois homens foram responsáveis pela organização do atelier imperial. A Pérsia safávida era então o modelo cultural de referência para as elites culturais islâmicas do Industão. Inicialmente o atelier imperial dedicou-se à ilustração de clássicos da literatura persa e a crónicas dos feitos militares dos antepassados ilustres como Gengis Khan, Timur e Babur.
As composições nesta fase de raiz persa eram eminentemente estáticas e decorativas,com a maioria da superfície ocupada por padrões decorativos. Não havia qualquer pretensão de realismo,de exprimir volume,distancia ou perspectiva.
Entretanto novos ventos sopram: Goa tornara-se um centro poderoso e cosmopolita. O primeiro contacto entre Akbar e os Portugueses parece ter ocorrido no Gujarat em 1573, durante o cerco a Surat. Nesta ocasião um grupo de portugueses ofereceu ao imperador artigos europeus que o terão maravilhado.
Em 1576 Akbar convida os Jesuítas a enviar uma missão à corte mogol: "envio Abdulah, o meu embaixador e Domingos Pires para vos pedir,em meu nome,que me envieis dois padres cultos que deverão trazer consigo os principais livros do Evangelho e tudo o que seja melhor e mais perfeito da vossa Lei..."
Em 1580 a primeira missão Jesuíta desloca-se a Agra. Sabe-se que ofereceu ao imperador uma bíblia. No entanto Akbar já teria tido certamente ocasião de apreciar a arte europeia. Gravuras alemãs e flamengas circulavam já na corte mogol, levadas por mercadores,aventureiros e outros viajantes, como presentes,ou para comércio.
Akbar e também o seu filho mais velho, o príncipe Salim,mais tarde Imperador Jahanghir,estabeleceram laços de amizade com os missionários jesuítas que permaneceram em suas cortes,por vezes durante vários anos.
A presença dos Jesuítas em Agra, Fathepur Sikri, Lahore e outras capitais mogóis está bem documentada e é relativamente bem conhecida. Os missionários relataram escrupulosamente todos os trâmites destes contactos em cartas aos seus superiores que são hoje uma leitura fascinante. Contam pormenorizadamente as visitas de Akbar à sua capela em Agra e a suposta veneração pelas imagens de Jesus, Nossa Senhora e dos Santos e a sua admiração pela excelência e realismo das pinturas que lhe é dado observar.Akbar teria chamado os seus conselheiros e os pintores do seu atelier para observarem e copiarem tais maravilhas.
O interesse de Akbar pela imaginária cristã e pela pintura europeia é compreensível e certamente genuíno, mas talvez seja aconselhável dar um certo descontando tendo em vista o gosto pela hipérbole, próprio da linguagem das cortes mogóis e persas.
Parece-nos no entanto haver um mal entendido subjacente nas relações entre os Jesuitas e o Imperador Mogol. Os Jesuítas estavam convencidos que a conversão de Akbar estaria eminente.Escrevem-no repetidas vezes nos seus relatórios a Goa e a Roma. Eram encorajados pela afabilidade e honrarias que lhes eram dispensadas e pelo genuíno interesse do soberano na Lei e filosofia Cristas.
Akbar na realidade não tinha qualquer intenção de se converter ao Cristianismo.Era um monarca moçulmano não muito convicto, num pais predominantemente hindu. Nutria sim a ideia de criar uma nova religiao (o Din-I-Ilahi, Religião Divina)) aproveitando o "melhor" das outras religiões e de acrescentar ao seu enorme poder temporal o estatuto de líder espiritual.Era movido no seu interesse pelo Cristianismo por curiosidade intelectual e espírito universalista.
Akbar e depois Jahangir estavam empenhados, por razoes políticas de consolidação do seu poder e imagem, e certamente por vaidade pessoal, em aperfeiçoar o poder da mensagem transmitida pela pintura de corte. Esta pintura não se limitava à produção de manuscritos para deleite da corte. Nas paredes dos principais palácios,salas de audiência, e espaços públicos viam-se pinturas murais que transmitiam a mensagem pretendida.Em Fathepur Sikri os primeiros jesuítas a entrar no palácio imperial encontraram pinturas representando Cristo, Nossa Senhora, Moisés e Maomé.
Os poderosos da corte mogol aperceberam-se das possibilidades que a pintura europeia, com as suas técnicas de representação mais realistas poderia oferecer no processo de enaltecimento da imagem imperial. Por influência europeia dá-se uma libertação do espaço pictórico. As figuras adquirem maior expressão e individualidade. O retrato realista torna-se corrente.Os artistas dos ateliers das várias cortes copiam gravuras europeias,aprendem as técnicas de sombreado e tracejado para dar volume e animação sobretudo às vestes. Abre-se uma visão de distância dada pela redução dos elementos mais afastados. Técnicas renascentistas como o "sfumato" são utilizadas para sugerir profundidade de campo.
Elementos da iconografia cristã são usurpados e re-contextualizados para servir o enaltecimento e quase deificação do Imperador. Pintores como Abdu'l Hasan especializam-se em retratos alegóricos em que Jahangir é representado,sentado num trono dourado, tal como Cristo, segurando a orbe,a sua cabeça envolta por um resplendor dourado enquanto anjos seguram grinaldas. A influência europeia na pintura de corte neste importante período da arte do Industão é considerável e nem sempre reconhecida.
Jorge Vieira nasce em Lisboa em 1922. Frequenta o curso de escultura em Belas-Artes, onde participa nos movimentos de contestação ao regime político e onde começa por trocar as suas impressões sobre escultura moderna com colegas como Sá Nogueira, Alice Jorge ou João Abel Manta. O Surrealismo começa a seduzi-lo e são as obras de Dacosta, em 1942, que primeiro o marcam.

Figura Feminina (Ocarina) | 1985 | Terracota | Dim.: 56 x 41 x 26 cm
A partir de 45 trabalha no atelier do arquitecto Frederico George com quem manterá uma longa colaboração e amizade. Aí começa a trabalhar as suas primeiras esculturas. O material escolhido é o barro - desvalorizado na cultura ocidental, incluindo no próprio século XX. O seu valor simbólico está inevitavelmente associado a uma substancialidade terrestre e também a uma maleabilidade e fragilidade tanto maternal como sensual. O barro remete-nos, assim, para as origens - permitindo entrever o principal traço da obra do escultor: o primitivismo. É no seguimento deste desejo de voltar às origens da escultura que Jorge Vieira começa a utilizar os engobes, técnica antiga, vinda da cerâmica, que consiste em pintar a cor sobre o barro em determinado momento da sua secagem e levá-lo posteriormente ao forno a cozer.
Jorge Vieira concretiza a perfeita conciliação entre o que há de mais profundo, fundamental, enraízado, mais ontologicamente anterior, e o lado mais inocente, lúdico, juvenil e puro do ser humano. É por isso que o seu trabalho é extremamente cativante. E é dessa maneira que consegue uma enorme proeza: apesar do seu motivo, o seu trabalho em nada é assustador. Indo até ao mais fundo (do ser humano e da memória dos tempos), utilizando o subconsciente e provocando através do fantástico e do mitológico – apesar das suas obras envolverem uma desfiguração, o disforme, o bizarro, elas são, no entanto, aprazíveis. São convidativas a um olhar demorado e enchem-nos de ternura e sonho.

Touro, 1955, Terracota, Dim.:40 x 31 x 17 cm
Touro Terracota | Alt.: 19 cm
Só ele, em 1953, com um projecto de monumento Ao Prisioneiro Político Desconhecido, premiado num concurso internacional londrino, se notabilizava. O seu acerto cronológico com a restante actividade europeia era único e valeu- lhe talvez até mais reconhecimento internacional que nacional. Iniciou um procedimento revolucionário com o exercício de materiais diversos, em especial a terracota e a pintura com engobes.

Casal Terracota com engobes | Dim.:50 x 65 x 30 cm

Sem Titulo - Figura bizarra 1952 | Bronze | Dim.: 32 x 26 x 28 cm
Sem Titulo | 1949 | Terracota com engobes Dim.: 24 x 15,5 x 10,5 cm
Sem Título - Camponeses Bronze | Dim.:19 x 32 x 9 cm
Foi também um dos primeiros escultores a introduzir a cor, interesse que o leva a dourar particularidades dos bronzes. Rompeu com o já velho e árido cânone oitocentista, recuperando, criativamente, modelos icónicos de culturas antiquíssimas e primordiais, de origem mediterrânea, africana e até ameríndia. Precursor primitivista, cubista, surrealista e abstracta, sumariou meio século de inovações até então por experimentar em Portugal.
A sua primeira exposição individual foi em 1949 na SNBA onde já se podia ver uma figuração neo-classicista na composição do corpo feminino com uma anatomia estereometrizada. As pequenas figuras que evocam a tal memorabilidade primitiva são inscritas numa formalidade moderna e surrealista. E as outras completamente abstractas desenvolvem uma síntese orgânica entre espaços cheios e vazios, eliminando a tensão dessas duas forças, criando uma harmonia e completude hipnotizantes.
Das primeiras galerias a abrir em Lisboa, em 1968, logo em 1971 a Galeria São Mamede faz uma exposição individual de esculturas e desenhos de Jorge Vieira, onde se afirma corajosamente no início do catálogo que “a arte é sempre revolução”, desfazendo a pertinência da velha querela entre arte e política. Em homenagem e retrospectiva, a Galeria São Mamede volta a fazer uma exposição da sua obra em 2016.